O que fazer quando o dono frauda a própria empresa?

Por Jorge Krening, Head Sustain Consulting

Nas últimas semanas, o Brasil assistiu à liquidação extrajudicial do Banco Master, uma instituição que movimentava bilhões, operava fortemente no mercado de capitais e parecia ter um crescimento “inexplicavelmente próspero”.

Ou seja, a intervenção do Banco Central revelou um cenário grave: 🔻 operações sem lastro 🔻 ativos superavaliados 🔻 produtos emitidos em larga escala sem garantia real 🔻 e indícios de gestão fraudulenta praticada por quem estava no topo

Em outras palavras: o colapso não veio do mercado, da concorrência ou de uma crise externa. Veio de dentro. Veio do próprio dono.

Acima de tudo, esse caso expõe um problema silencioso, mas muito presente na realidade brasileira — empresas, muitas vezes familiares, que crescem rápido, sem governança, e cujo maior risco está justamente naquele que deveria proteger o negócio.

E isso nos leva à pergunta central deste post:

O que fazer quando o dono da empresa é a fonte da fraude?

A seguir, trago reflexões e práticas que aplico na consultoria, na auditoria e na gestão de riscos, e que qualquer organização, pequena ou grande, deve observar para não viver seu “momento Banco Master”.

1️⃣ Nunca confie apenas no carisma ou na reputação do dono

Entenda que mesmo negócios financeiramente sólidos podem ruir quando decisões estratégicas ficam concentradas demais em uma única pessoa.

Por exemplo, quando o dono concentra:

  • decisões críticas,
  • aprovações,
  • acesso a dados,
  • e controle financeiro,

… a empresa se torna de fato vulnerável a desvios intencionais ou emocionais (ego, impulsividade, vaidade ou decisões arriscadas demais).

De fato, a primeira lição é simples:

➡️ Carisma não substitui governança. Reputação não substitui controle.

2️⃣ Se tudo cresce rápido demais, desconfie

Em particular, o Banco Master oferecia retornos muito acima do mercado e apresentava um crescimento forte demais em um período de instabilidade econômica.

Como se pode ver, no mundo empresarial, isso sempre exige pergunta técnica: 🔍 De onde vem esse resultado? É sustentável? Tem lastro?

Inclusive, negócios que crescem rápido demais, sem explicação clara, geralmente escondem:

  • dívidas,
  • bolhas,
  • maquiagens de balanço,
  • ou riscos que ainda não apareceram.

3️⃣ A governança não pode ter “intocáveis”

Empresas com donos autoritários criam um ambiente onde ninguém contesta decisões — e esse é o maior risco operacional possível.

Se o dono: ❌ nunca é auditado ❌ nunca é contraposto ❌ nunca presta contas

…então os controles internos já nasceram quebrados.

De fato, governança boa é aquela em que até o dono tem que explicar seus números.

4️⃣ O compliance precisa ser independente de verdade

Não existe programa de integridade eficaz quando o compliance tem medo de contrariar o dono.

Ou seja, compliance que obedece ao dono antes de obedecer às normas… … não é compliance. É decoração.

Acima de tudo, empresas precisam de estruturas que: ✔ auditem o dono, ✔ verifiquem suas decisões, ✔ mantenham trilhas de auditoria, ✔ e mapeiem riscos que ele mesmo pode provocar.


5️⃣ Controles internos não podem depender de confiança pessoal

Frases como:

  • “Ele sempre cuidou das finanças”
  • “Ele nunca faria isso”
  • “Ele conhece o negócio como ninguém”

… já antecederam dezenas de casos de fraude empresarial no Brasil.

Controle não existe para quem é suspeito. Controle existe para todos.


6️⃣ Transparência não é opcional — é sobrevivência

No caso do Banco Master, muitos credores e investidores só descobriram o problema quando já era tarde demais.

Empresas precisam comunicar riscos relevantes, principalmente quando envolvem decisões do controlador.

Sem transparência, o colapso é sempre mais rápido. E mais caro.


7️⃣ Reaja ao primeiro sinal — não ao último

Fraudes cometidas pelo topo raramente começam grandes. Elas crescem conforme ninguém verifica.

Por isso, o mantra é: 🚨 “Desconfie cedo, investigue rápido.”

Se há sinais como:

  • mudanças abruptas nos números,
  • operações complexas sem explicação,
  • pressão por decisões fora do fluxo,
  • pedidos de sigilo incomuns,

… é hora de acionar mecanismos de investigação.


🌐 Conclusão: O verdadeiro risco não está no mercado … está dentro da empresa

Como se pode ver, o caso Banco Master não é apenas um episódio financeiro. É um alerta.

Além disso, fraude cometida pelo dono é o tipo de risco que ninguém quer acreditar que existe, mas que infelizmente é mais comum do que parece.

Ou seja, a solução é técnica e direta:

✔ governança

✔ controle

✔ auditoria

✔ segregação

✔ independência

✔ risco mapeado

✔ transparência

✔ cultura forte

Quando esses elementos existem, nem o dono consegue fraudar a empresa.
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