Compliance e Risco em foco

Compliance e Risco em Foco

“Eu estava apenas fazendo meu trabalho”: A frase que pode te levar para a cadeia.

Por Jorge Krenning, Head Sustain Consulting

No mundo corporativo, há uma crença reconfortante, quase uma canção de ninar, que muitos gestores de riscos e compliance cantam para si mesmos:

“Eu sou um guardião, um conselheiro. Eu identifico os riscos, mas a decisão final não é minha. No final do dia, eu estava apenas fazendo meu trabalho.”

Essa crença é confortável. E está se tornando perigosamente falsa.

Em novembro de 2023, Steven King, o Chief Compliance Officer de uma empresa de saúde, foi sentenciado a mais de 4 anos de prisão por uma fraude de $50 milhões que ele deveria ter prevenido. Ele não foi o CEO. Ele não foi o CFO. Ele era o cara do compliance. E ele foi para a cadeia.

Este não é um caso isolado.

É um terremoto. É o sinal de que as placas tectônicas da responsabilidade corporativa estão se movendo, e a frase “eu estava apenas fazendo meu trabalho” está deixando de ser um escudo para se tornar uma confissão.

A Morte do “Parecerista de Luxo”

Por muito tempo, a função de riscos e compliance foi vista como a de um “parecerista de luxo”.

Alguém que elabora relatórios, aponta os perigos, apresenta os cenários e, no final, diz: “a decisão é do negócio”.

Essa postura cria uma distância segura, uma espécie de imunidade diplomática contra as consequências das decisões erradas.

Essa era está acabando. Tribunais e reguladores, especialmente nos EUA e no Reino Unido, estão cada vez mais perfurando o véu corporativo e perguntando:

•”Você sabia do risco?”

•”Você tinha autoridade para agir?”

•”Você escalou o problema de forma eficaz?”

•”Você documentou suas ações e alertas?”

Se as respostas forem “sim, sabia”, “sim, tinha autoridade”, “não, não escalei” e “não, não documentei”, a conversa deixa de ser sobre a empresa e passa a ser sobre você.

O Caso MoneyGram: A Inação que custou milhões

No famoso caso MoneyGram, um executivo de compliance foi pessoalmente multado em $1 milhão (reduzido depois para $250.000) não por participar da fraude, mas por falhar em implementar políticas para disciplinar agentes de alto risco. Ele tinha a autoridade, mas não a usou. A inação foi o crime.

Isso muda tudo. Não é mais suficiente “identificar” o risco.

A nova expectativa é que você faça algo a respeito.

E se você não fizer, a responsabilidade pode recair sobre seu CPF.

3 Perguntas que todo profissional de Risco e Compliance deveria se fazer hoje

1. Eu tenho autoridade real?

Você tem o poder de vetar uma decisão, de congelar um processo, de demitir um funcionário fraudulento? Se não, você pode ser um bode expiatório com um título bonito.

2. Minha documentação é à prova de tribunal?

Se sua empresa fosse investigada amanhã, seus e-mails, atas de reunião e relatórios provariam que você agiu de forma diligente e incisiva, ou eles mostrariam uma passividade conivente?

3. Estou preparado para ser o “chato”?

Escalar problemas, vetar projetos e confrontar executivos poderosos é desconfortável. Mas o desconforto de ser o “chato” é infinitamente menor que o desconforto de dividir uma cela de prisão.

O recado dos tribunais é claro: a era do compliance como teatro acabou.

O palco agora é um tribunal, e a plateia é um júri. A frase “eu estava apenas fazendo meu trabalho” não vai te salvar. A única pergunta que importará é: “Você fez o suficiente para parar a fraude?”

Se a resposta te deixa desconfortável, talvez seja hora de reavaliar o que seu trabalho realmente significa.

Clique aqui e entenda como a Sustain Consulting pode ajudar você e sua empresa. Estratégicamente!

Um abraço e até a próxima,

Jorge Krening

Quer ver a publicação original no Linkedin?